quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Eddy, o falcão

A Autosport escreveu na coluna “Paddock Life” que a desastrosa corrida de Felipe Massa, em Cingapura, não foi nada em comparação com o vexame vivido por Ed Gorman, correspondente do Times na F1. Exageros à parte, a história é engraçada.

O britânico foi um dos jornalistas convidados por Bernie Ecclestone para uma experiência de causar inveja à equipe do Red Bulletin: correr no iluminado circuito cingapuriano entre os mais célebres representantes da imprensa. Os carros? Modelos Fiat 500, com câmbio automático – observação importante no enredo a seguir.

Ed viveu uma grande expectativa para essa que seria também a primeira vez “pilotando” em um circuito da F1. Ele fez a lição de casa, buscando algumas dicas no paddock, e escolheu John Button como conselheiro: “Seja qual for o limite de giro que determinarem, ignore-o”, orientou o ex-piloto de rali e pai de Jenson Button.

Um pequeno probleminha na logística atrasou o encontro dos jornalistas com as máquinas e eles foram entrar nos carros já posicionados no grid de largada. Era só sentar e largar, mas Gorman se sentou e ficou. “Descobri como é ficar parado no grid enquanto todo o mundo passa por você”, desabafou o jornalista, que, lamentavelmente, só descobriu aquele detalhe do câmbio automático na hora de largar. Como nunca havia dirigido um carro assim, não soube o que fazer nem teve tempo de aprender.

O embaraço multiplicou-se de tamanho quando um dos oficiais do evento, aparentando ter o dobro da sua idade, entrou no carro de Ed e arrancou de primeira, sem qualquer problema. Além de provocar gargalhadas entre os espectadores e ser motivo de piada até para os taxistas locais, o jornalista saiu dessa histórica corrida noturna com um novo apelido: "Eddy the Eagle".

Gorman narra todo o episódio detalhadamente em seu blog no tragicômico post You've got to laugh; no, I've got to.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

No box com Ingo Hoffmann

Trabalhar no automobilismo tem dessas coisas: ficar de papo com os pilotos em seus próprios boxes faz parte da rotina. Os amigos jornalistas da Fórmula 1 que me desculpem, a despeito da nossa insignificante atuação perto de quem freqüenta círculos mais abastados, alguma vantagem tínhamos de ter.

A notícia não custa caro, na verdade, não custa nada. Esqueça restrições e controle da informação. O máximo de barreira que vai encontrar será uma cara feia por alguma pergunta mal elaborada. Mas é preciso errar feio mesmo para merecer respostas atravessadas de qualquer um dos pilotos. Até mesmo, ou principalmente, daquele que é o mais profissional entre todos os que conheço.

Sem qualquer pretensão, sem pauta para seguir, sem páginas a preencher... Deixei o bloquinho de lado e o gravador desligado para ouvir Ingo Hoffmann num papo informal ao lado da sua assesora, e minha amiga, Meg Cotrim, que ali também não estava a trabalho.

Ouvimos o “Alemão” falar da família, do primeiro emprego do filho, comentar a sacanagem da última prova, desabafar sobre o que não suporta mais na profissão, relembrar, criticar, segredar, palpitar e rir. Rindo como se aquela fosse uma conversa de boteco, sem pressa para terminar.

Último ano, último campeonato, últimas pistas, últimos números, últimas conversas. Realmente, pressa não tem mais. Nem eu tive. Talvez não viva outra chance parecida na minha carreira – a de passar duas horas escutando as histórias de um piloto 12 vezes campeão da categoria, no ano da sua despedida. É, momento assim não volta.

Poderia entrar em detalhes, mas quer saber? Prefiro encerrar sem nada mais revelar com o privilégio de manter a exclusividade dessa "exclusiva" em minhas memórias.

onde: Autódromo Internacional Ayrton Senna - box da AMG Motorsport
quando: 10 de setembro de 2008, quarta-feira, oitava etapa da Stock Car


RODRIGO LUPORINI
Após seis anos nos EUA , ele comprou passagem só de volta para o Brasil, trazendo na mala o diploma de Marketing e muita vontade de trabalhar. Até chegar à Stock, Rodrigo gerenciou diversas marcas no meio publicitário. “Aí caiu no meu colo o Chevrolet Power Team.” Para trabalhar a imagem dos pilotos da equipe na Stock Car, ele busca inspiração na NA SCAR : de lá veio a idéia do canhão que dispara camisetas no pitlane e nas arquibancadas. E, como no ano passado, Rodrigo volta à principal categoria do automobilismo dos EUA com os seis pilotos Chevrolet do play-off atual, em outubro.


MONICA D`AZEREDO
Essa contabilista foi convidada por Aldo Pastore para trabalhar na Cronomap, ainda no tempo dos Ômegas. Monica começou na Stock como “passagista”, anotando a seqüência de voltas dos carros que passavam na pista durante treinos e corridas. Hoje, coordena as informações que chegam do radar e controla o funcionamento dos transponders instalados em todos os carros. Seu tempo é dividido também com as etapas da Fórmula Truck e da GT3. Quando está de folga, Monica curte ficar com o filhão de 13 anos, mimar sua cachorrinha e receber os amigos.



CLAUDIO STRINGARI
Ele foi jogador profissional de futebol, por influência do pai, Claudio Marques, quarto zagueiro do Coritiba nos anos 70 e 80. Stringari jogou em diversos times paranaenses e foi titular no goiano Itumbiara. Às vésperas de se tornar profissional no Coritiba, ao lado de Alex (ex-Palmeiras), lesões no joelho o forçaram a abandonar os campos. Claudio seguiu para o jornalismo esportivo e experimentou o automobilismo com o Rally da Graciosa, em 1999. Seu começo na Stock foi no ano seguinte, como assessor de Flávio Trindade, e, atualmente, assessora Alceu Feldmann e os pilotos da Nova/RR .


ANTONIO CARLOS (TONINHO)
Pelo menos nesta página, não há quem seja regular no paddock há mais tempo do que ele. Toninho entrou na Hot Car há 21 anos, quando Amadeu Rodrigues corria no Brasileiro de Marcas. Doido por carros desde moleque, ele passou a adolescência trabalhando na oficina mecânica em frente à sua casa, onde começou lavando peças de carro. Tantos anos na Stock e continua o mesmo de sempre: “Sou mecânico como qualquer outro”. Mas sem deixar de colher os frutos da experiência: “Trabalho no carro do Popó com bastante liberdade. Troco muita idéia com o patrão e mexo à vontade”



Red Bulletin - Curitiba
Domingo, 21 de setembro de 2008. EDIÇÃO 18

ADEMIR ROGÉRIO (NEGÃO)
Depois de alguns anos trabalhando em telefonia, ele cansou do assunto e decidiu mudar de área. Em 2003, Negão pediu ao primo Luiz, motorista da Master TV , uma indicação de trabalho. E foi assim que chegou à Stock, montando cabos na pista. Carregou muito peso até se tornar o cara dos pontos, passando a ser responsável pelos sinais de transmissão da Master TV nos boxes. “Nunca antes imaginei entrar no box e conversar com os pilotos.” Negão e Pato Preto, seu primo, formam a dupla fanfarrona do paddock: estão sempre contando piadas e arrancando risada por onde passam.


DENISE CHINEZE
Foi a loucura do marido pela Stock que direcionou seu trabalho no ramo gastronômico das pistas. Os cardápios servidos pela Nutribless nos HCs e nas áreas de paddock são determinados no início da temporada, mas sempre que pode Denise inclui algumas surpresinhas: na sala de imprensa já serviu até pipoca e arroz-doce. Um dia, ela notou que muitos mecânicos ficavam sem almoço depois dos treinos, fazendo acertos nos carros, e logo providenciou o “lanche dos mecas”. Idéia 100% aprovadapor eles e que chega a causar disputa no boxes.


MÁRCIO FONSECA

Na Stock, faz assessoria de imprensa para os pilotos da Medley. Em fórmulas, para Bruno Senna e Felipe Massa. E ainda cuida do Desafio Internacional das Estrelas, de equipes de vôlei e do WTCC. Márcio começou como assessor de Christian Fittipaldi, em 1988, depois trabalhou com Pedro Paulo Diniz durante 15 anos. Admite torcer e vibrar com vitórias: “Não sou capaz de um distanciamento”. Outra marca sua é “salvar” cachorros abandonados. Fora os treze que vivem com ele, criou o grupo “Piloto Amigo dos Animais”, que já conta com nove sócios na Stock. Quer ajudar? Entre em contato: mfdois@uol.com.br


GENIVALDO ROCHA (GG)
Genivaldo só em registros oficiais. Um nome sério assim não combina com seu altoastral. Em casa ele é o Guga; no paddock, o GG da Nova/RR . De tanto “perturbar seu Jorge” (de Freitas) pedindo credencial para ver corridas, em 2001 esse apaixonado por automobilismo foi chamado pelo próprio chefe de equipe para trabalhar na Stock. Nascido em Petrópolis, reduto de sete equipes da categoria, incluindo a Nova/RR , GG estudou tornearia, mecânica de pneumática, hidráulica e solda, conhecimentos que aplica no dia-a-dia da oficina e nas pistas.



Red Bulletin - Londrina

Sábado, 13 de setembro de 2008. EDIÇÃO 17

ARLINDO ROMERO
No Rio de Janeiro, Arlindo usa a credencial pela última vez. A despedida da Action Power, onde foi diretor técnico e engenheiro de Thiago Marques, acontece às vésperas de virar a vida do avesso. Ele partirá para uma expedição de volta ao mundo em uma picape que é quase uma casa ambulante. Longe de radicalizar: “Entre destruir o planeta e viver como homem das cavernas, existe muita coisa que pode ser feita”. E Arlindo decidiu fazer sua parte levando aos países mais pobres um projeto de aquecimento solar. Conheça os detalhes da viagem clicando www.expedicaosigaseucoracao.net.

CLÓVIS MATSUMOTO
Foi do laboratório de motores do Instituto Mauá que saiu o convite para se tornar comissário técnico da CBA. Desde 2003, Clóvis é responsável pelo cumprimento do regulamento na Stock Car. A rotina na pista começa na véspera dos treinos livres, quando sua equipe faz vistorias técnicas nos carros e sorteia e lacra os pneus que serão usados. Engenheiro como seu pai, Clóvis sempre trabalhou com carros de passeio e de competição e hoje se divide: é engenheiro de desenvolvimento de uma multinacional do setor automobilístico e comissário nos fins de semana de Stock.

CLAUDIO VINICIUS (TIGUR)
Embora tenha sonhado em ser piloto um dia, Tigur fez nas pistas uma história das mais pitorescas. E ela começou na F-1, em rede nacional, quando ele entregou a bandeira do Brasil a Senna no GP dos EUA, em 1986. No mesmo ano, a mesma bandeira foi parar nas mãos de Piquet, na Hungria. Nisso, Tigur conheceu Reginaldo Leme, passou a trabalhar com ele e, desde 1992, participa do anuário AutoMotor. O porquê do apelido é engraçado. Resumindo: “Porque, no interior, quando alguém joga pedra na água, faz ‘tigur’”.Para entender o fio da meada,só batendo um papo com ele.

CAROLINA WAGNER
A voz rouca denuncia: ela fala muito, em quatro línguas diferentes! Carol é gerente de marketing de pneus de automóveis e caminhonetes, na Goodyear, onde está desde 1997. Sempre esteve em contato com a área de competições e trabalhou em muitos ralis até se tornar regular no paddock. Ela acompanhou de perto o namoro da marca com a Stock e o desenvolvimento dos pneus para a temporada atual. Seu estilo? “Sou um ponto fora da curva.” Carol valoriza o lado feminino, mas adora brincadeiras de meninos: “Não sou nenhuma campeã, mas, eventualmente, participo de mini-campeonatos de kart”.

Red Bulletin - Rio de Janeiro
Domingo, 31 de agosto de 2008. EDIÇÃO 16






FERNANDA GONÇALVES
Para ela, o jornalismo esportivo foi a melhor opção por ser leve, divertido e, é claro, porque “envolve paixão”. Há dez anos estreou como repórter de automobilismo na Gazeta Esportiva, curiosamente no lugar de Meg Cotrim (assessora do Ingo), que havia saído de lá. Na Reunion desde 2000, a Fê coordena a área de assessoria de imprensa, que atende os pilotos da Sky (Tarso Marques e Luciano Burti) e da Terra (Rodrigo Sperafico e Felipe Maluhy) – “seus filhos”, como costuma brincar.

ANDRÉ BENITES
Óculos escuros, freqüentemente falando pelo rádio e circulando no paddock, de onde coordena a comunicação da organização. O André trabalha no departamento de apoio aos pilotos e equipes, na Vicar. Ele elabora a programação oficial das etapas, determina posicionamentos de box e dá apoio técnico aos pilotos na pista e no pódio. Formado em administração e também em fotografia, não dispensa um fim de semana de surfe na praia para equilibrar a tensão das corridas.

LUIS GRIZOTTI
Ele é conhecido como o Luís do rádio. Faz cinco anos que chegou à Stock a convite do piloto Carlos Alves e, em pouco tempo, dominou o paddock. Luís monta os equipamentos de rádio em carros e capacetes e faz acertos de freqüência para todas as equipes da categoria. É o cara da confiança, afinal, tem acesso livre às conversas e mantém tudo em segredo. Outro segredinho: Luís traz perfumes importados do Paraguai. Aliás, ele e sua esposa aceitam encomendas.
É só pedir!

RENATO MARLIA
Braço direito de Mauro Vogel na preparação de Thiago Camilo, nas corridas Renato toma as decisões táticas com o piloto, define a estratégia do fim de semana e checa tudo o que é do Thiago: macacão, capacete, carro, horários etc. Ele já correu na Stock Car, mas se deu bem mesmo quando disputou o Terra Speed e o Brasileiro de Marcas, sendo bicampeão nas duas categorias. Renato é também preparador de kart na Granja Viana, onde vários pilotos treinam com ele no tempo que tem entre as etapas da Stock.

Red Bulletin - São Paulo
Sábado, 02 de agosto de 2008. EDIÇÃO 15

sexta-feira, 18 de julho de 2008

“Mais rápido, Carlão!”

Foi na quinta etapa trabalhando na Stock Car, em Campo Grande, que tive a chance de dar uma volta rápida no carro da Goodyear. Empolgadíssima com a idéia, espalhei a notícia para todos os colegas da sala de imprensa e para os meus pais. Apavorar a mãe um pouquinho faz parte, assim como escutar a pergunta “Vai usar capacete?”. Já com o pai resta o melhor: causar inveja.

Integrei uma fila de espera com outros nove convidados para a volta rápida naquela tarde. Era a nona na espera, o que me deu tempo de estudar as manobras dos caronas de primeira viagem. Prestei atenção à maneira de vestir a balaclava, de ajustar o capacete e o principal: descobri como entrar no carro sem bater a cabeça. O básico, pensei, era controlar a ansiedade e caprichar na coordenação motora.

No momento em que me sentei ao lado do Carlos Alves, a história passou a ser completamente inédita. Pedi ao Carlão que andasse o mais rápido possível. Ele perguntou: “Vai escrever sobre isso?”. Minha resposta positiva foi o passe para uma arrancada de fazer inveja aos caronas anteriores. Não é por nada, não, mas tenho certeza de que a minha volta rápida foi a mais rápida do dia!

Deixando de lado o privilégio recebido pela aplicabilidade da experiência, nossa, dá pra gritar, xingar, rir, suar e tremer ao mesmo tempo. Passa muito rápido, é óbvio, mas, como não conhecia o traçado de Campo Grande, o trajeto pareceu mais extenso. É como fazer um caminho de carro pela primeira vez sem saber quantas ruas faltam para chegar.

De cara estranhei a visão. Como o piloto enxerga ali de dentro? Olhando para a frente, tudo o que existe é um retângulo estreito por onde se vê parte da pista. Até a primeira curva, mantive as mãos largadas em cima das pernas. Milésimos de segundos depois, encontrei um tubo ao alcance da mão direita que funcionava como uma espécie de “puta que pariu” e dele não desgrudei mais. A troca de marchas é muito mais bruta e sentida por quem está no carro do que se imagina. As freadas são extremas, parece que o carro quase pára. As curvas são as atrações principais do parque de diversões. Várias vezes pensei que pararíamos na grama, isso se parássemos. (risos)

Saindo da última curva, na reta de quase um quilômetro, o Carlão acelerou próximo ao muro em frente às arquibancadas. Uma visão marcante: listras e grades passando rápido do meu lado e eu não querendo que acabasse. É o máximo! Não havia outros carros na pista nem qualquer sinal de disputa, mas, assim que cruzamos a linha de chegada, venci a minha primeira corrida imaginária de Stock Car. Quero mais!




RedBulletin.com

terça-feira, 15 de julho de 2008

Credencial Permanente #14




ALEXANDRE KACELNIK (KAKÁ)
Na adolescência, Kacelnik chegou a jogar com nomes que estão no comando do vôlei atual, inclusive Bernardinho. Daquela época restaram amizades e o trabalho de assessoria de imprensa. Na Stock, ele soma 8 temporadas com a Texaco, a primeira em 2001. Antes de chegar aqui, foi assessor da Hollywood na Indy por três anos, quando viajou o mundo conhecendo vários países. Viajar tanto foi legal até seus filhos nascerem. Hoje, este carioca da gema é um paizão que sofre de saudade de Guilherme e Beatriz.

BRUNO BASSANI
De 10 pessoas que escutam seu sobrenome, 11 perguntam se é parente dos irmãos Eduardo (chefe de equipe) e Luca Bassani (fotógrafo). Tá na cara que não, mas ele brinca: “somos primos”. No paddock é o Bruno da Marelli. Graças ao seu trabalho de engenharia, pilotos trocam de marcha sem tirar o pé do acelerador. Enquanto voam na pista, da torre Bruno trabalha com o diretor de prova nos momentos de sinalização: largada, bandeira vermelha ou entrada do Safety Car.

AFONSO RANGEL
Ex-piloto de fórmula, chegou a correr de Stock com uma vitória em Curitiba. Hoje ele é “engenheiro” do carro do Antonio Pizzonia e pede aspas na função porque não fez Engenharia. Formado em Direito e Aviação Civil, Afonso virou engenheiro de tanto fuçar carros de corrida. Trabalhando há 20 anos com Paulo de Tarso, ele brinca que faz parte dos utensílios da equipe. Algumas horas por dia, se dedica ao Blog do Afonso. “Falo bem e falo mal.” Tá lá: www.jornale.com.br/afonso.

VINÍCIUS DE PAULA (VINI)
Precisando de uma força, esse é o cara. Adepto da política da boa vizinhança, Vini conquistou o título de gente boa entre os regulares do paddock. O figura da logística na Officer é o braço direito de Duda Pamplona, resolve tudo para o piloto. Seu começo na Stock foi assim “uma boiada”. De tanto correr atrás de credencial, não é que arrumou um jeitinho de trabalhar lá dentro? Outra grande conquista foi na balança: de 162kg reduziu para 80kg. Alguns colegas estranham a transformação, outros abusam das piadinhas, mas Vini está feliz com o novo corpinho.

Red Bulletin - Campo Grande
Sábado, 05 de julho de 2008. EDIÇÃO 14

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Entrevista: Kaká

Do topo, ele olha para cima

Suas atuações em 2007 lhe renderam os prêmios individuais mais importantes do futebol mundial. Ninguém questiona: o brasiliense Ricardo Izecson dos Santos Leite chegou ao topo. Auge da carreira? Ainda não. A palavra auge sugere “o máximo grau”, “o apogeu”, e Kaká, 25, quer mais. No momento em que foi eleito o melhor do mundo pela Fifa, o craque já sonhava com novas conquistas. Para o meia do Milan, ganhar uma vez não basta. É com a motivação de um vencedor incansável e foco no trabalho que pretende elevar o seu premiado futebol a outros topos.

Urika Coimbra (para o site do Galvão Bueno)

Antes de se tornar profissional, você chegou a pagar para jogar bola. De onde tirou apoio e incentivo para batalhar pelo seu sonho?
Kaká – Paguei para jogar futebol até começar a jogar pelo Amador do São Paulo, onde passei a ganhar uma ajuda de custo. Antes disso, na minha primeira escolinha de futebol, eu pagava. Quando entrei no social do SPFC pagava também. Sempre foram meus pais que me deram apoio e incentivo.

Ao longo dos anos, desde a estréia no São Paulo Futebol Clube, você mudou muito como jogador e como pessoa?
Kaká – É interessante porque tive uma mudança sim, tanto como jogador, como pessoa. Mas foi mais uma adaptação do que uma mudança. Com todas as coisas acontecendo – sucesso, fama, etc.. – você tem que ir se adaptando e isso gera mudança.

Transferir-se para um time de ponta da Europa, como aconteceu em agosto de 2003, data da sua ida para o Milan, era um dos seus objetivos no início da carreira. Foi determinante sair do Brasil para alcançar um bom nível profissional?
Kaká – Só Deus sabe o que teria acontecido comigo se ficasse no Brasil. Mas acredito que na Europa evoluí muito e aprendi muita coisa. A concorrência força a aprender e aprender rápido, por isso acho que em um grande clube europeu você cresce mais ou, então, passam por cima de você.

O troféu de melhor jogador de futebol do mundo, pela Fifa, representa uma consagração individual máxima. Do alto deste topo, como avalia a necessidade de se impor novos objetivos?
Kaká – Acho fundamental viver por objetivos. E correr sabendo onde quero chegar. Se venci uma vez, agora, quero vencer outra e para isso preciso passar por etapas que são conquistas, com o Milan e com a Seleção.

Uma nova meta é vencer com a Seleção em Pequim na conquista do ouro olímpico, inédito para o Brasil?
Kaká – O ouro olímpico é um grande objetivo do futebol brasileiro. A minha convocação dependerá de muitos fatores, entre eles um acordo entre o Milan e a CBF, já que não e uma competição da Fifa.

Jogar na Seleção, ser campeão com o seu time na Europa, ganhar o troféu de melhor do mundo, entre tantas outras conquistas, reforçam o brilho da sua estrela. Mesmo assim, vemos um Kaká que marca, corre atrás do jogo e atua como um jogador comum. É um estilo que busca manter? Considera uma qualidade fundamental para ser vitorioso?
Kaká – Considero sim. Nunca penso que alcancei o meu auge. Sempre temos alguma coisa para aprender e melhorar. No futebol, como é um esporte coletivo, aprendi que dependo muito dos meus companheiros e que eles dependem de mim. Se olham para mim e eu estou correndo, é uma motivação para eles também.

Em comparação com outros brasileiros, que assim como você chegaram ao topo, mas, não entanto, têm suas habilidades questionadas atualmente, teme um dia passar por isso também? Inovar é um desafio que pode ajudar?
Kaká – Como disse, ter objetivos é sempre uma grande motivação. Inovar é fundamental e lembrar do trabalho que fez para chegar ao topo, só assim você poderá chegar lá de novo.

Disputar a Copa de 2014, no Brasil, aos 32 anos, é um sonho possível?
Kaká – Vamos ver em que condições chegarei aos 32 anos como atleta.

Casamento, família e religião são valores fortes na sua vida. De que forma você equilibra o lado profissional com o pessoal?
Kaká – Procuro ter sempre prioridades. Faço as coisas respeitando as minhas prioridades e esses valores citados têm sido prioridade na minha vida.

A mídia costuma afirmar que o Kaká foi programado para vencer. O que melhor descreve a sua trajetória vitoriosa?
Kaká – Sempre fui a favor do trabalho. Não tem nada que substitui o trabalho. Se, hoje, sou considerado um vencedor foi como diz o livro do Bernardinho ,“Transformando Suor em Ouro”, e aprimorando o dom que eu tenho.

Apesar do resultado, Thiago Camilo sai de cabeça erguida

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
12 de dezembro de 2007 16h

Na sexta-feira, o piloto Thiago Camilo preferiu não criar grandes expectativas para o fim de semana, mesmo com o bom desempenho durante os treinos livres. Ao longo da temporada, o piloto não conseguiu uma boa classificação no grid de largada quando ía bem em dia de treinos. Esse histórico foi contrariado com a pole conquistada em Interlagos. Mas, no domingo, outro histórico não se repetiu. Em Londrina, quando largou na pole, Thiago terminou vitorioso. Desta vez seu carro quebrou faltando apenas oito voltas para a bandeirada.

Após liderar com folga boa parte da prova, Thiago abandonou a disputa no momento em que garantia o vice campeonato da Copa Nextel, seguindo à frente de Rodrigo Sperafico.

“Cheguei a abrir três segundos de vantagem para o segundo colocado que até então era o Rodrigo Sperafico. Sabia que não precisaria ganhar a corrida pela posição dele. Quando entrou o safety car senti uma coisa estranha no carro já na primeira freada. Fiz o S do Senna e a curva do Sol balançando bastante, quando desci a retinha do Laranjinha o carro morreu”, comentou o piloto, que no momento da entrevista ainda não tinha certeza sobre a razão da falha mecânica. “Acho que foi algum problema com óleo. Depois, alguma coisa quebrou na parte de trás e o carro, simplesmente, parou sem explicação.”

Ao fim da corrida Thiago declarou-se orgulhoso pela temporada: “Não perdemos, deixamos de ganhar. Fiz o meu trabalho, consegui largar bem e fiquei na frente a maioria da prova. Faltando oito voltas para o final acabou acontecendo isso. Saio de cabeça erguida. Sempre fiz um bom trabalho e sei que se o carro não tivesse quebrado eu conquistaria o vice campeonato”.

Diretor da prova comenta o acidente com Rafael Sperafico

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
10 de dezembro 17h59

A última etapa da Stock Car Light começou de forma complicada antes mesmo do acidente fatal na sexta volta com o piloto Rafael Sperafico, que corria pela FTS Competições. Com pouco tempo de prova, por duas vezes o safety car entrou na pista. Carlos Montagner, diretor da prova, fez a primeira intervenção quando o carro de Leonardo Burti, da Hot Car Competições, ficou atravessado na pista. O mesmo ocorreu algumas voltas depois com o carro de Norberto Gresse, da AMG Motorsport.

Na volta seguinte à segunda relargada, no momento em que os carros saem da curva do Bico de Pato e entram na curva do Mergulho, o carro de Rafael Sperafico sai da pista pelo lado direito, segue pela área de escape e um pouco antes da curva da Junção choca-se lateralmente com o carro de Luis Carreira, da Carreira Racing. “Com isso, o carro do Carreira roda, o carro do Rafael Sperafico sai de lado novamente e anda um pouco na grama. Foi quando a televisão cortou a imagem para mostrar o outro pelotão”, comentou Montagner.

“Logo em seguida, volta a imagem frontal, onde ele faz a curva do Café. Quando começa a entrar na reta dos boxes escapa para o lado direito, bate de frente nos pneus, roda voltando à pista com o lado do piloto a favor dos carros que vinham. Se não me engano, dois conseguem desviar do carro do Rafael, mas o Renato Russo não conseguiu, então ele bateu de frente no meio do carro, na parte onde tem a porta”, explicou o diretor da prova, que como todos ficou impressionado com a brutalidade do acidente.

“É impressionante. Voa fibra de vidro para tudo quanto é lado. Se não tivesse essa carenagem, que é só a bolha, não teria todo esse mundo de coisas voando, mas o Rafael, realmente, não escaparia. O impacto foi muito forte, eu calculo que o Russo deve ter batido nele a uns 180 km/h. Da maneira como recebeu o impacto, era muito difícil qualquer piloto sobreviver.”

Foram quatro acidentes com vítimas fatais ao longo de 28 anos de Stock Car. Carlos Montagner, mesmo sabendo que fatalidades acontecem, sonha com o ideal de nenhum arranhão. “Nós gostaríamos que qualquer corrida não tivesse nada disso. O automobilismo é um esporte de risco. São máquinas controladas por homens. Elas podem falhar ou os homens podem errar. Por isso que, cada vez mais, os carros são mais seguros para evitar essas falhas, tanto do piloto como da parte estrutural do carro. O ideal era que não houvesse nunca nada, nenhum esfolão, nenhuma dorzinha de cabeça, o ideal do ideal, mas não existe isso. É um esporte de risco e quem participa sabe que está sujeito a qualquer coisa como, infelizmente, aconteceu com o Rafael.”

Carlos Montagner também lamenta que críticas ao circuito e à categoria sejam apontadas como responsáveis pelo acidente. “Vão falar que o carro não tem segurança, que o autódromo não tem segurança, que foi a proteção de pneus, que a área de escape deveria ser maior. Alguém vai querer achar um culpado, como sempre acontece em um acidente assim. Vão achar alguma desculpa para dizer ‘é esse que foi o culpado pela morte do Rafael’. É uma indignação muito grande que existam aproveitadores em cima disso. O circuito é aprovado pela Federação Internacional de Automobilismo para o mundial de F-1.”

O piloto Rafael Sperafico morre em grave acidente

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
9 de dezembro 14h56

Durante a corrida da Stock Car Light neste domingo, em Interlagos, o piloto Rafael Sperafico, de 26 anos, faleceu após grave acidente. O carro de Rafael escapou na Curva do Café, bateu na proteção de pneus e retornou para a pista, quando foi atingido lateralmente pelo carro do piloto Renato Russo.

O médico responsável pela categoria e que acompanha todas as etapas da Copa Nextel Stock Car, dr. Dino Altmann, falou sobre o atendimento prestado a Rafael logo após o ocorrido: “As imagens todos vocês viram. Infelizmente, ele ficou exposto da pior forma: o carro parado na pista com o lado dele virado para quem vinha na reta. Renato Russo não conseguiu desviar e pegou a lateral do carro de Rafael. Esse choque em T é sempre o que mais tememos. Ele sofreu um traumatismo craniano extremamente severo, com parada cardiorrespiratória e, apesar de todas as tentativas, não tivemos qualquer êxito na sua reanimação. Infelizmente, ele se encontra agora no centro médico esperando as medidas legais que precisam ser tomadas”.

O atendimento aconteceu de maneira rápida, mas a equipe médica não teve sucesso durante as tentativas de reanimar o piloto. “Chegamos muito rápido no local do acidente. Sempre existe uma tentativa de reanimar, mas não tivemos êxito em nenhum momento da reanimação dele”, comentou Dino Altmann.

Renato Russo, piloto de 40 anos, também sofreu um traumatismo crânio encefálico, mas foi consciente e estável para o Hospital São Luiz, no Morumbi. Segundo Altmann, outros exames completarão o diagnóstico: “O sinais dele estão todos estáveis. No hospital ele será reavaliado, não só clinicamente, mas também com exames complementares. Assim, teremos uma posição final sobre as lesões que ele tenha sofrido. Mas, a princípio, as condições estão absolutamente estáveis”.

Eduardo Leite é pole da Stock Jr. e sonha com o título de campeão

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
8 de dezembro 14h54

Eduardo Leite foi o melhor no treino classificatório da Stock Jr. O piloto fez a pole com 1min58seg614, apenas 3 milésimos mais rápido do que o segundo do grid, Cauê Carvalho, que deu a melhor volta no treino da manhã.

Após alguns acertos no carro, Eduardo superou Cauê durante a Classificação. “Como andei na chuva ontem, o meu carro deu umas escapadas que comprometeram o amortecedor e o carburador. Quando acabou o treino livre da manhã, eu achei que tinha alguma coisa de errado. Verificamos e encontramos sujeira no carburador. A cambagem também estava um pouco fora. Com os acertos, consegui dar duas voltas boas na tomada e fiz a pole”, vibrou.

“Não poderia ser melhor. O que eu tinha para fazer era tentar a pole e tentar vencer amanhã. Graças a Deus eu consegui fazer a pole. Amanhã, vou dar o meu máximo para vencer e sair com o título”, disse Eduardo, o único piloto com chances de disputar o título com o líder do campeonato Thiago Riberi, que se classificou em 4º no grid de Interlagos.

Além de paulistas, os dois pilotos dividem outras semelhanças com os resultados obtidos durante a temporada 2007. Uma vitória para cada um: Eduardo Leite venceu a quinta etapa (Londrina) e Riberi, a oitava etapa (Brasília). Eles também tiveram o mesmo número de segundos lugares: três até agora. Mas Eduardo assumiu uma postura mais conservadora durante o campeonato do que o rival Thiago Riberi.

As duas quebras nas etapas de São Paulo exigiram cautela do piloto: “Desde que eu quebrei em duas corridas estou meio na navalha, porque eu não posso quebrar, eu não posso bater, então eu fiz um campeonato muito conservador”. De volta a São Paulo para a última corrida do ano, valendo o título, Eduardo Leite está mais agressivo. “Não tenho mais que ser conservador. Ou eu tento ou me conformo com o resultado. E eu vou tentar.”

Ingo Hoffmann segue otimista para a Classificação

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
7 de dezembro 17h49

Ingo Hoffman, AMG Motorsport (Mitsubishi), teve um desempenho melhor durante o primeiro treino livre; no segundo, perdeu performance em comparação aos demais pilotos. Mesmo com a queda de rendimento, Ingo, que está na disputa pelo vice campeonato, ficou satisfeito com as primeiras voltas em Interlagos.

“Os treinos na chuva foram bons para mim. Apesar da posição que eu fiquei no final e os tempos não dizerem muita coisa. Mas eu sei como estava o meu carro e como estavam os pneus, principalmente, para fazer aquele tempo. Se a pista permanecer molhada e colocarmos um pneu de chuva melhor, com certeza vou estar muito bem classificado”, disse.

Samuel Russell comenta investimento da General Motors na Stock Car

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
7 de dezembro 10h

Samuel Russell, diretor de marketing da marca Chevrolet da GM do Brasil, fala sobre o investimento na Copa Nextel Stock Car. À frente de uma estratégia que começou há 28 anos, Samuel comemora o retorno obtido pelo patrocínio e explica a boa fase da categoria, que segundo ele, conta com avanços muito positivos e pode assumir no país a mesma força que tem a Nascar nos Estados Unidos. Valores de marca, estratégias de relacionamento e apostas nesse modelo de negócio pela GM são revelados na entrevista a seguir.

STOCK – Que razões justificam o investimento da General Motors na Stock Car?
RUSSELL – Nosso investimento na Stock Car vem de longa data, já são 28 anos investindo na categoria por uma razão muito simples: o automobilismo para o brasileiro é o esporte de maior afinidade após o futebol. Esse é um dos fatores. Segundo, somos uma empresa de automóvel, então, entre patrocinar futebol, vôlei, lançamento de peteca, patrocinamos a Stock, que se encaixa bem com a marca pelo esporte em si ser com automóvel. A categoria é muito mais alinhada com a nossa estratégia, o que torna mais fácil a transição de valores de patrocínio para a nossa marca. E terceiro, seja de protótipos de carros de alta performance, como o V8, ou da categoria GT3, ou Stock Jr., carrinho gaiola ou carrinho fórmula, o ato de ir a uma corrida é visto pelos brasileiros com certo romantismo e é também um evento espetacular. Pensando nesses três elementos, o nosso investimento é voltado justamente para esse foco, automobilismo alinhado com fábrica de automóveis, independentemente de produzirmos ou não carros de corrida.

STOCK – O que esperam transmitir para a marca Chevrolet através do apoio à categoria?
RUSSELL – Competitividade, esportividade, um pouquinho de energia e adrenalina; emoção para o nosso telespectador. A Stock Car é um evento excepcionalmente organizado, de alto calibre, alto nível profissional e uma excelente ferramenta de relacionamento com o público, compradores, fornecedores, parceiros estratégicos. Todo mundo quer ir à corrida de Stock Car, de final ou início de temporada. Por que não agregar a imagem da marca a essa atividade e ao mesmo tempo fazer relacionamento? Essa é a lógica que usamos por trás. E tem outra lógica, eventualmente temos campeões dirigindo os nossos carros e esses se tornam porta-voz das nossas marcas, o que também ajuda a transmitir valores como marca de campeão, marca vencedora. Tendo isso como base do nosso trabalho, o conceito de patrocínio na Stock Car não é diferente do patrocínio de outros esportes. Apenas, o coincidente alinhamento do nosso negócio com o automobilismo é que gera mais força para o nosso uso nesse sentido.

STOCK – O investimento vale a pena mesmo considerando que os carros de competição são totalmente modificados e não representam os carros de rua? Você acha que o público, em geral, tem esta noção de que os carros que competem não são os modelos encontrados nas concessionárias?
RUSSELL – Em nenhuma categoria de corrida no mundo, que eu conheça, o carro que está na pista é o carro que está na concessionária. Um carro de corrida tem alteração de motor, de suspensão, freio, equipamentos de segurança como gaiola, enfim, tem muitas coisas que não existem na concessionária. O carro na concessionária é um carro de passeio, um carro para a rua com faróis, lanterna, pisca-pica, cinto de segurança diferenciado. A lista de equipamentos que compõem um carro de corrida e a lista de equipamentos que compõem um carro de rua não poderiam ser mais diferentes. Tem uns puristas que acham que o carro que corre na Stock Car, que damos o nome de Astra porque ele tem a aparência de um Astra, ou dos carros concorrentes, é de alguma forma uma enganação ao público. Em nenhum momento esperamos que o público imagine que os carros de corrida são iguais aos da concessionária, da mesma forma que qualquer outro carro de corrida no mundo não é igual ao carro encontrado na concessionária. Nós temos a categoria TC 2000 na Argentina, por exemplo, que é um monobloco de um Astra, ou seja, é a carroceria de um Astra de verdade. Fora isso, não tem nada do carro original. O motor, que custa de 100 mil dólares a 200 mil, suspensão, roda, freio – tudo é diferente, não tem nada a ver com o Astra que está nas ruas.

STOCK – A Stock Car, especialmente quando comparada com as competições que usam monoblocos, é criticada pelo uso das bolhas. Como vêem essas considerações?
RUSSELL – Os puristas falam que por não termos o monobloco na categoria Stock Car é de alguma forma enganação. Desculpa, mas eu não vejo dessa forma. Nós estamos apoiando a maior e a melhor categoria do automobilismo brasileiro. O público gosta do automobilismo, ou seja, corrida de carro. Carro se define como motor de transmissão, carroceria e rodas. O formato do que está na pista não é diretamente relevante à nossa atividade. Agora, a categoria, por concepção, usa um carro de turismo. Na verdade, é um carro de corrida com a cobertura de turismo. É óbvio que a marca Chevrolet, a Mitsubishi, a Volkswagen e a Peugeot, vão associar alguma bolha da marca àquele carro, porque é simplesmente mais conhecimento espontâneo sobre a linha dos nossos produtos. Em nenhum momento as montadoras estão dizendo que o carro das pistas é o mesmo carro que está nas concessionárias. Nem por isso, deixa de valer a pena todo investimento do patrocínio. Automobilismo como evento, como paixão do brasileiro, profissionalmente organizado é uma excelente ferramenta de relacionamento.

STOCK – Por que a bolha escolhida foi a do modelo que corresponde ao Astra?
RUSSELL – A bolha Astra não é para dizer que o carro da rua é o mesmo da corrida, e sim uma escolha pelo posicionamento do nosso carro Astra no mercado. Você percebe isso através das nossas campanhas publicitárias, que focam a performance. O que é uma corrida? É uma atividade relacionada à performance, então a associação com o Astra corresponde bem ao posicionamento da marca, aos valores agregados que desejamos trazer. No fim é um excelente evento para o povo brasileiro, que gera paixões; tem gente que chora, gente que ri. É uma forma do público se relacionar com as marcas.

STOCK – Além da exposição na mídia, como avalia outros ganhos que esse investimento traz para a marca? A GM mede o retorno da imagem que obtém pelo patrocínio na Stock Car?
RUSSELL – Avaliamos, basicamente, em três aspectos. O retorno sobre a marca através de pesquisa. A Stock Car é uma parte importante do posicionamento da marca na cabeça do consumidor brasileiro. Não é o único elemento, então não dá pra separar o que é Stock Car, mas sabemos que tem um impacto muito positivo em termos de percepção da marca pelo público. Além da mídia que você falou, nós temos outras formas de prover o retorno que é exatamente o interesse de vários públicos nossos de irem ao autódromo. Tantas pessoas querem ir que promovemos competição de vendas interna, ou nas concessionárias, ou em pós-vendas, participação de consumidor com atendimento, enfim, competições buscando melhorar a nossa performance e nossos indicadores. Aqueles que atingem os objetivos pedidos são premiados com a Stock Car, então, volta naquele quesito do evento. O evento profissionalmente montado, independentemente do que está acontecendo na pista, que tipo de carro está correndo, vale muito a pena. O brasileiro está vendo isso.

STOCK – Que outros fatores, fora o retorno medido, dão credibilidade à continuidade do patrocínio pela Chevrolet?
RUSSELL – Compartilhamos com a Vicar a visão de construir no Brasil um campeonato de automobilismo tão competitivo, tão rentável e tão importante quanto é a Nascar nos Estados Unidos. Eles têm o mesmo conceito que nós usamos hoje e é, sem sombra de dúvida, o campeonato de automobilismo mais popular do mundo, de maior rentabilidade. Para você ter uma idéia, ela consegue movimentar o PIB dos EUA, um exemplo excepcional do que é o automobilismo bem administrado, bem utilizado como competição e como ferramenta de marketing de posicionamento de marca e de entretenimento. Essa é a nossa visão a longo prazo, acreditamos muito nisso, obviamente, a Chevrolet é altamente envolvida na Nascar nos EUA e queremos repetir essa fórmula no Brasil. Vamos chegar lá, mas não é uma questão do que está correndo na pista, na verdade, é acreditar no modelo de negócio, que é muito bom.

STOCK – Como você enxerga a evolução da Stock Car comparativamente com o que ocorre na Nascar atualmente? O quanto de avanço ainda existe para alcançar?
RUSSELL – Tem muito avanço e o que caminhar, mas eu diria que são três coisas que já conquistamos, o que indica que a nossa base de trabalho é extremamente forte. Primeiro, a partir de 2008, todas as corridas estarão ao vivo na tv aberta, o que já é uma grande conquista. Segundo ponto, pela primeira vez no automobilismo brasileiro um piloto da Stock Car pode viver do automobilismo como profissão. E o terceiro ponto, vemos a popularidade de o evento crescer, a afinidade aumenta todos os dias com o público brasileiro. Ainda existe uma limitação geográfica, pois não conseguimos ir para o nordeste com essa categoria, mas, certamente, na medida que a infra-estrutura brasileira melhorar vamos conseguir fazer isso. Acho que um dos grandes números indicativos é a freqüência média no autódromo hoje para uma etapa da Stock Car, que já é maior do que a média dos ingressos vendidos para o jogo do campeonato brasileiro. Esses três fatores, para mim, mostram que estamos no caminho certo. Continuamos progredindo nesses indicadores, aumentando a popularidade do esporte e a capacidade dele de se sustentar como negócio rentável no Brasil.

Pilotos da Stock Car visitam Meninos do Morumbi, em São Paulo

Urika Coimbra
Do Autódromo de Interlagos
6 de dezembro 21h37

Há dez anos o músico e maestro Flávio Pimenta deu início ao trabalho realizado com meninos carentes do bairro do Morumbi, em São Paulo. Morador da região, Flávio levou para a sua própria casa três garotos que se banhavam no lago onde costumava passear. Dependentes químicos, sem roupas, sem comida e sem teto, chegaram à casa do músico desconfiados. Assim começou a instituição Meninos do Morumbi, que hoje transforma a vida de mais de 3 mil jovens sob uma estrutura impressionante. Com salas de aula, quadra de ensaio, estúdio de rádio, instrumentos e professores gabaritados, os meninos aprendem lições que vão muito além do ritmo dos tambores.

Nesta quinta-feira, 6 de dezembro, os pilotos Cacá Bueno, Luciano Burti, Daniel Serra e Rodrigo Sperafico foram ao espaço para conhecer o trabalho realizado pelo Meninos do Morumbi. Os jovens cantaram ao vivo, tocaram instrumentos e dançaram coreografias em apresentação exclusiva aos pilotos da Stock Car, que no final do encontro também entraram no ritmo e aprenderam alguns batuques nos tambores durante uma aula que acontecia na instituição.

Todos ficaram muito impressionados não só pela história do Flávio, que é emocionante desde o começo, mas pelo seu envolvimento em uma causa tão nobre e carente no país. Preocupados com os problemas sociais, os pilotos vivem a realidade que aflige todo o povo brasileiro. Pouco temos a chance de investir tempo e dar o nosso apoio a atividades assim. Estar ali foi uma lição para cada um deles e uma alegria que compartilharam ao conhecer uma instituição organizada, empenhada, com pessoas trabalhando em algo tão importante.

“Fiquei muito bem impressionado com a excelente idéia do Flávio, que é proporcionar esse ambiente e a música, justamente, para tirar a meninada da rua, mostrando que existem outras possibilidades na vida, não necessariamente o lado musical, mas que existem outras coisas, que eles têm capacidade de fazer com base também nos estudos que incentivam no inglês, nos esportes, no aprendizado geral. É uma iniciativa muito bacana e ele foi responsável desde o inicio, não é que ele fez por acaso, ele fez com uma boa intenção e chegou até aonde ele está. Então é muito impressionante e está mais do que de parabéns”, disse Luciano Burti durante a visita.

Cacá Bueno ficou surpreso por conhecer um espaço como este no Morumbi e saiu de lá feliz pela oportunidade de encontrar os meninos da instituição. “Fiquei surpreso pela quantidade de jovens que eles ajudam, garotas e garotos que estão no projeto. Nós, que somos mais bem-sucedido na vida e que, de repente, tivemos um pouco mais de sorte e também trabalhamos competência para chegar a esse ponto, temos a obrigação ajudar e colaborar. É sempre bonito ver pessoas engajadas num projeto social, cujo principal objetivo é tirar as crianças da rua para ensinar valores de família, de parceria, de trabalho. Estou feliz de ter vindo aqui. Sempre que dá fazemos esse tipo de visita a projetos sociais ou a hospitais. Estou bastante surpreso de uma forma positiva e tomara que esse exemplo do Morumbi seja tomado por muitos lugares não só em São Paulo, mas no Brasil inteiro”, declarou o bicampeão.

O paulista Daniel Serra conhecia apenas o lado musical do projeto e achou muito positivo descobrir que cada criança e jovem adquire diversas habilidades através da convivência no espaço do Morumbi. “Gostei bastante. Achava que era só a parte de música, e agora conhecendo a estrutura que eles têm e o que eles passam, percebi que eu tinha realmente uma impressão diferente. O Flávio nos explicou que a música é um valor a mais que eles querem dar para as crianças. Fiquei impressionado com todas as atividades que fazem: esportes, jiu-jitsu, inglês, rádio. É muito legal mesmo. O Flávio é uma das pessoas que se esforçam para mudar a nossa realidade. Se existissem mais projetos como esse estaríamos numa evolução mais rápida.”

Rodrigo Sperafico, que está na briga pelo vice-campeonato da Copa Nextel, fez elogios ao trabalho de quem sabe lidar com as pessoas e transformar a realidade para melhor. “Fiquei impressionado, não achei que fosse tão grande assim. Como eu falo, todo mundo tem o dom para alguma coisa. Como alguém pode ser enfermeiro ou médico? Admiro muito quem consegue lidar com as pessoas. Ele teve o dom de acolher todas as crianças e fazer esse mega-empreendimento sem fins lucrativos, com todo mundo apoiando; eu vi que o presidente Bush veio aqui, então, não imaginava que era dessa grandeza. Deviam existir mais pessoas assim e poderíamos até tentar dar um apoio para atingir outras regiões do país. Você vê que Deus é justo, temos pessoas que fazem o bem e às vezes demoramos para ver. Querendo ou não temos preguiça de ir e tentar ajudar, mas precisa vim e ver para conhecer a realidade. Se surgir oportunidade, temos que dar apoio e acreditar que tem solução”, comentou Rodrigo.

O presidente e fundador do projeto, Flávio Pimenta, agradeceu a visita dos pilotos da Stock Car e reconhece a importância desse apoio para o futuro do Brasil. “É uma honra receber os pilotos e nós crescemos muito nestes dez anos ampliando a nossa rede. A vinda deles não vai parar por aí, com certeza, queremos trazê-los de volta. Gostaria que eles conversassem com as crianças e elas conhecessem suas histórias individuais e as dificuldades que passaram porque isso faz com que elas aprendam. Todos aprendem infinitamente mais pelos exemplos do que pelas teorias. O automobilismo é uma paixão no Brasil, como a música. Isso começou de uma maneira bem informal, há dez anos, catando as crianças para ensinar música na minha casa. Quem sabe contaminamos esses pilotos, esses amigos, enfim, para começarem também um programa que possa ajudar os menos favorecidos? Isso faz uma diferença brutal no Brasil onde existe, principalmente, uma juventude muito abandonada”, concluiu Flávio.

Os motorhomes que viajam com a Stock Car

Urika Coimbra
Do Autódromo de Jacarepaguá
21 de novembro 17h57

Eles estão em todas as etapas da Stock Car. Levam conforto, comida caseira, e até churrasco, para as cidades onde acontecem as corridas durante o ano. Em cada autódromo, um grande campo é reservado aos motorhomes, que chegam alguns dias antes com toda a estrutura preparada para receber pilotos e equipes nos intervalos de treinos e no domingo de prova.

Um motorhome é uma casa completa – com quartos, sala, banheiro, cozinha e lavanderia – sobre rodas. Ficam estacionados lado a lado no autódromo de quarta a domingo, cada um com seu motorista e cozinheira, responsáveis pelos cuidados da “casa”. Seguir com os motorhomes pela temporada da Stock Car é uma “vida divertida”, conforme disseram os seus integrantes.

Raimundo, 44, motorista do motorhome da Eurofarma RC, não trocaria a profissão por nenhuma outra. “Estou há dois anos na estrada e isso ainda vai longe. Para nós é diversão”, disse o motorista que durante os intervalos das viagens transporta trailers para a companhia em que trabalha.

A cozinheira Bela, 35, cuida do motorhome de Alceu Feldmann, Boettger Competições, ao lado do marido, o motorista Pedro, 42, há um ano e meio. Os dois começaram juntos na estrada e vivem mais tempo no motorhome do que em suas casas. Além da Copa Nextel Stock Car, eles acompanham as etapas da GT3 onde correm Alceu e Paulo Bonifácio. Apesar da rotina puxada, Bela admite sentir falta das viagens quando entram em férias: “No começo foi cansativo, mas depois que acostuma você pega um amor tremendo. Em janeiro fico desesperada porque sinto saudade”.

O piloto da Stock Car Light, Eduardo Berlanda, F&F Racing, é o único que dispensa o hotel para dormir no próprio motorhome. “Prefiro ficar aqui porque durmo mais tempo e não pego congestionamento. Acordo ao lado da pista e tomo o meu café de sempre, com as minhas preferências. Sem contar que a cama na qual gosto de dormir está aí dentro”, comentou Eduardo quando voltava ao seu motorhome depois do treino de sábado, onde já tinha carne assando na churrasqueira.

Bruno, motorista e faz-tudo do motorhome de Eduardo, admira o “espírito aventureiro do patrão” e cuida pessoalmente de colocar a carne na brasa às 11h da manhã, para o churrasco que “não tem hora de acabar”. O piloto faz as vezes de anfitrião: “Todo dia tem churrasco, até cerveja para quem vem nos prestigiar. Infelizmente, não posso tomar, somente ofereço”, brincou Eduardo, que planeja aumentar a frota na próxima temporada. “Estamos vendo para montar outro também. Esse já ficou muito pequeno para tudo o que fazemos. Mais pilotos deveriam ficar nos motorhomes, assim faríamos uma confraternização à noite.”

Thiago Camilo sai e acusa Neto de prejudicá-lo para ajudar Cacá

Urika Coimbra
Do Autódromo de Jacarepaguá
18 de novembro 13h21

Thiago Camilo não terminou, não pontuou e não conseguiu levar a decisão do campeonato para São Paulo. O então vice, com 247 pontos, condenou a atitude de Antonio Jorge Neto, Eurofarma RC, em toque que o tirou da corrida.

“Já tinha colocado mais de meio carro por dentro do Neto, tomei um toque na traseira, na saída da curva. Quando vi que estava na minha frente já esperava que ele dificultasse, por ser companheiro de equipe de Cacá. Só não esperava receber um toque dessa maneira para me tirar da corrida”, disse o piloto enquanto acompanhava o restante da prova, visivelmente abalado com a sua saída.

Thiago Camilo ainda perdeu a segunda posição do campeonato para Rodrigo Sperafico, que terminou a corrida em 7º, somou 9 pontos e segue como vice para São Paulo.

Thiago Riberi é pole no grid da Stock Jr.

Urika Coimbra
Do Autódromo de Jacarepaguá
17 de novembro

Conforme anunciou na manhã deste sábado, Thiago Riberi entrou nas pistas determinado a conquistar a pole. Na segunda volta, o piloto fez o melhor tempo da Stock Jr. em 1min34s994, média de 126.42 km/h.

“O treino foi bom, a pista melhorou bastante do treino da manhã. Na primeira volta eu fui mais cauteloso. Como a condição de pista mudou um pouco, não quis forçar, quis ver como estava para vir forçando tudo na segunda volta. Graças a Deus, foi uma volta perfeita e consegui fazer a pole.”

Pelas voltas nos dois dias de treino, Riberi já sabe onde deverá ter mais atenção no circuito de Jacarepaguá: “Mais cuidado tem que ter no final da reta oposta na curva do oval. É um trecho muito perigoso onde tiveram vários acidentes durante os treinos. Espero passar ileso pela primeira curva, sem nenhum toque. Na Stock Jr. é complicado prever um resultado porque só é decidido na última volta. É mais confortável largar na frente, vamos tentar abrir do resto do grid”.

O piloto lidera o campeonato com 177 pontos e no Rio de Janeiro pode disparar ainda mais à frente. “Estou bem otimista, vamos ver se dá tudo certo. Consegui fazer na pista o que estava prevendo, cumpri todas as metas até agora e vamos ver se amanhã eu consigo cumprir a última meta e a mais importante”, comentou.

Thiago Riberi, o mais rápido dos treinos livres, espera liderar o grid

Urika Coimbra
Do Autódromo de Jacarepaguá
17 de novembro 12h20

O líder do campeonato da Stock Jr., Thiago Riberi, confirmou o favoritismo durante os treinos livres de ontem. O paulista, que gosta de correr no Rio de Janeiro, considera uma vantagem o fato de já ter corrido em Jacareaguá no ano passado e espera repetir o tempo de ontem durante o treino classificatório deste sábado.

“A expectativa é boa. Gosto muito de andar aqui no Rio. A pista secou ontem no segundo treino. Acho que a maioria do pessoal não andou ainda na pista e deve ter encontrado um pouco de dificuldade. Como já tinha andado ontem no molhado, e no ano passado no seco, consegui ir bem, aproveitei o treino e deu tudo certo”, declarou Thiago minutos antes de entrar na pista para o 3º treino livre.

Vidas do Playoff com Rodrigo Sperafico

Urika Coimbra
Do Autódromo de Jacarepaguá
16 de novembro 12h36

Rodrigo Sperafico cresceu dividindo com o irmão gêmeo Ricardo os desafios da profissão. O pai, Dilso Sperafico, que foi piloto de turismo e Fórmula Super-V, passou aos filhos a paixão pelo automobilismo e batalhou para que chegassem onde estão. Não é à toa que Rodrigo responde no plural sobre tudo o que se refere aos caminhos que percorreu para ser um piloto profissional. Conheça um pouco mais sobre o Sperafico que somou duas vitórias na temporada 2007, chega ao fim do campeonato brigando pelo título e faz da Copa Nextel a sua prioridade.

STOCK – Na sua história, tornar-se piloto foi uma escolha por vocação ou por influência?
RODRIGO – Tem gente que já nasce com dom. Não nasci gostando de corrida. Meu pai nos contagiou e virou uma paixão. Foi por influência dele que nos especializamos em automobilismo e nem deu tempo de considerar uma profissão diferente. Ele nos pegou de calça curta, entramos nisso e não pensamos mais em outra coisa. Não me imagino seguindo outro caminho. Ele sempre incentivou, dava tudo para não faltar condições. Nunca exigiu nada, só pedia para fazer direito e dar valor, porque ele estava se sacrificando. Hoje, olhamos tudo e temos uma idéia do que ele passou. É uma lição.

STOCK – Quando a brincadeira virou profissão?
RODRIGO – Começamos no kart com nove anos. Quando criança você não sabe ainda se é sério e nem pensa em futuro. Meu pai foi nos mostrando a direção. Aos 16 anos, deixamos o kart e fomos para a Europa, ali eu percebi que o passo era mais largo. Começamos a entrar no mundo do automobilismo e ver uma possibilidade de nos profissionalizar. No momento que você dá um passo maior percebe um pouquinho melhor as transformações que estão por vir.

STOCK – O que seria diferente na sua trajetória sem o seu irmão?
RODRIGO – É difícil dizer por que eu nunca estive sozinho. Nascemos juntos, começamos a correr juntos e nunca ficamos separados. Passamos boa parte do tempo como companheiros de equipe. Andamos bem, sempre alternando; quando um era campeão, o outro era vice; um andava melhor, o outro não. Eu não sei dizer como seria sozinho. Por uns três anos corremos em categorias diferentes; ele nos Estados Unidos, eu no Brasil. Quando isso aconteceu sentimos bastante falta. Viu como as coisas são? Ele voltou para a Stock Car e agora estamos juntos de novo.

STOCK – Como lida com as pressões, cobranças e expectativas?
RODRIGO – Eu sou meio tranqüilo, bem conservador, nunca fui muito afoito. Deixo as coisas acontecerem dentro do prazo. Sou calmo, disciplinado. Estamos nesse meio desde criança e sabemos como lidar com a ansiedade. Acho que essa é a nossa profissão. Fomos abençoados porque todo mundo gostaria de estar numa situação assim. A única coisa é que eu gostaria que existissem mais finais de semana trabalhando em corrida, não apenas 12 vezes ao ano. Às vezes até falta alguma coisa para preencher o tempo vago.

STOCK – O quanto a sua vida foge dos padrões normais?
RODRIGO – Difícil perceber essa diferença porque estamos no automobilismo há 18 anos. Acaba sendo uma coisa normal. É legal ver a reação dos outros, todo mundo acreditando e torcendo, porque na Europa a não tínhamos isso. Aqui todo mundo acompanha, tem a família, a Globo dando cobertura, você nota que está pegando força. As pessoas passam a cobrar um pouco, querem resultados, mas eu nunca estive tão bem.

STOCK – Já consegue pensar em férias?
RODRIGO – Merecemos uma prainha básica, como qualquer ser humano. Provavelmente passarei uns dias em Florianópolis, como é pertinho de Curitiba, está na mão.

STOCK – Você gosta de morar em Curitiba?
RODRIGO – Faz três anos que moro lá e já tenho um círculo de amizades muito bom. É uma cidade grande, boa para se morar e a minha equipe é de lá, tudo fica mais fácil. Para mim é um ponto estratégico, se precisar ir a São Paulo ou Rio, é uma boa saída.

STOCK – Quais são as suas prioridades atuais?
RODRIGO – O automobilismo, porque agora é profissional. Dou prioridade total à Stock Car, pois nunca tive num momento tão bom, disputando o titulo. Não envolvo nada no meio, o foco será total nas corridas até o final do campeonato. Depois que terminar, veremos o que fazer no próximo ano. Mas hoje é 100% Stock Car. Lógico, tem que se preparar fisicamente, também há negócios paralelos, o escritório em Curitiba. Busco aprender, evoluir um pouco, porque não vou correr até os 90 anos de Stock. Pensamos em algo paralelo para preencher o tempo e viver melhor.

Losacco espera repetir bom desempenho nos treinos de sábado

Urika Coimbra
Do Autódromo de Jacarepaguá
16 de novembro 9h25

Giuliano Losacco, Texaco Vogel Motorsport (Chevrolet), fez o segundo melhor tempo no 1º treino livre de hoje na 26ª volta, com 1min23seg199. Durante a maior parte do treino os pilotos correram em pista molhada e os resultados começaram a mudar ao colocarem pneu slick já no final do treino, quando o tempo abriu em Jacarepaguá.

“O carro estava bom e o começo foi meio equilibrado. Como hoje não vale nada foi um treino para acertar o carro e chegar num balanço ideal. Deu para sentir um acerto bom e acredito bastante que os nossos carros sejam competitivos. Vamos torcer para ficar na frente durante os treinos de amanhã”, afirmou o piloto, apostando no melhor desempenho do seu carro em pista seca.

Após um ano difícil, Losacco acredita que um bom resultado no Rio de Janeiro será importante para restabelecer o ânimo na equipe: “Meu carro quebrou muitas vezes, tivemos azar, então vamos torcer para eu terminar bem classificado nessas duas corridas e motivar todo mundo para o ano que vem”.

Allam Khodair em defesa do meio ambiente

Urika Coimbra
Da Redação
31 de outubro 18h44

Nem mesmo os pilotos da Copa Nextel Stock Car sabem que Allam Khodair, da Boettger Competições (Chevrolet), acelera na luta pela preservação do meio ambiente. A novidade invadirá as pistas a partir de 2008. Agora a categoria conta com mais um ponto a favor, pois Allam descobriu que é possível reduzir o impacto ambiental da liberação de gás carbônico pelos carros, caminhões e até aviões. Na próxima temporada, o piloto espera intensificar a conscientização entre todos os participantes e servir de exemplo.

STOCK – Há quanto tempo você se preocupa com o meio ambiente? Como descobriu que poderia agir a respeito?
KHODAIR – Hoje em dia, não só pelo que vem acontecendo, mas pelo volume de informações sobre o que o meio ambiente está sofrendo, é impossível ficar de fora do assunto. Comecei a me interessar em fazer algo para diminuir os danos à atmosfera no ano passado. Li algumas matérias e descobri que um amigo, que corre de moto no Rally dos Sertões, conseguiu transformar o motor para álcool e até ganhou um selo (Carbon Free) da Iniciativa Verde, uma ONG paulista cujo objetivo é contribuir para neutralizar os gases do efeito estufa. Foi assim que eu tive a idéia de tentar usar a experiência dele no meu carro.

STOCK – Mas um carro de competição não pode usar álcool como combustível. Que solução você encontrou?
KHODAIR – Por mais que seja impossível transformar o nosso carro para álcool, percebi que existiam outras formas de minimizar, e até neutralizar, o volume de gás carbônico que emitimos nas etapas da Stock Car. Para isso, entrei em contato com a Iniciativa Verde e começamos a fazer o cálculo do quanto de CO2 precisaríamos neutralizar.

STOCK – Como o cálculo foi realizado?
KHODAIR – Através de muita pesquisa. Passamos um mês fazendo cálculos, preenchemos um questionário, que ia e voltava diversas vezes, para levantar o valor correto. Estudamos tipo e composição dos pneus, volume de combustível gasto por fim de semana, o caminhão que leva os carros para pista, etc. Tudo isso tem que ser levado em consideração. Especialistas da ONG fizeram o cálculo para o meu carro e descobrimos quantas árvores seriam necessárias para neutralizar o prejuízo.

STOCK – Quantas árvores você se comprometeu em plantar?
KHODAIR – Até o fim da temporada 2007 devolverei 56 árvores para a Mata Atlântica. Isso será o suficiente para combater o total de 11 toneladas de gás carbônico emitido neste período. Como mostrou a reportagem da “Rede Globo”, é o mesmo volume de CO2 liberado por um carro de motor 1.0 ao percorrer 78 mil quilômetros, o que corresponderia a dar duas voltas em torno da Terra. Assustador, não?

STOCK – Além do reflorestamento, existe outra forma de contribuir?
KHODAIR – Sim. A idéia não é só neutralizar. Junto com a Iniciativa Verde descobri que poderia trabalhar sobre a conscientização ambiental entre o público que a Stock Car atinge e também dentro das pistas.

STOCK – Como pretende conscientizar este público?
KHODAIR – No próximo ano vamos começar com um trabalho de conscientização junto ao público durante as etapas da Copa Nextel Stock Car. Todos os brindes, sacolas e papéis de autógrafo serão em materiais biodegradáveis. Tentaremos mostrar como é possível ajudar o meio ambiente dentro de casa com tarefas simples, como reciclar o lixo, diminuir os consumos de energia e água, e trocar o carro por uma bicicleta, por exemplo, sempre que der.

STOCK – Acha possível envolver outros pilotos na ação?
KHODAIR – Os pilotos vão ter que fazer a parte deles, pois o efeito estufa é muito assustador. Acredito que esta preocupação vai atingir toda a categoria. É uma tendência que não dá para ignorar em nenhum lugar do mundo. Temos que cuidar da Terra para os nossos filhos e netos. Se cada um fizer a sua parte, teremos um planeta muito melhor.

STOCK – Investiu recursos próprios para começar o projeto?
KHODAIR – Primeiro investimos para depois colher. Nestas três últimas etapas, quem está financiando sou eu mesmo com a verba de patrocínio que eu já tinha em 2007. Mas como é algo que beneficia também os meus parceiros, e todos eles acharam muito interessante, no ano que vem este gasto estará previsto no nosso orçamento. Falando em verba, as pessoas pensam que o custo é muito grande, mas pelo bem que estamos fazendo e com o valor agregado que gera para as marcas envolvidas, é uma quantia muito pequena.

Carro de Valdeno Brito quebra em início de corrida

Urika Coimbra
Do Autódromo de Tarumã
28 de outubro 11h51

Valdeno Brito, Neo Quimica - Neosoro/ JF Racing (Volkswagen), estava em segundo lugar quando abandonou a pista durante as primeiras voltas da prova. “Acho que quebrou o câmbio. Começou a fazer um barulho estranho e sabia que já não tinha mais jeito”, afirmou o piloto.

A equipe ainda procurava uma explicação enquanto, desanimado, Valdeno comentou que este tipo de problema faz parte. Ainda sem idéia de como ficará classificado no campeonato, o piloto confirmou que continuará o trabalho de antes: “Tem que fazer o que já estávamos fazendo e tentar não contar com estas quebras. Não existe culpado. Também porque a gente trabalha no limite, às vezes acontece”.